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Relatórios de avaliação de aprendizagem: como ajudar os professores a elaborar?

By  •  10 meses ago  •  Inove +

Há pouco mais de uma década, vários especialistas da área de educação começaram a abordar o processo avaliativo sob um novo enfoque. Mais do que a classificação do aluno e a expressão do resultado individual por meio de notas, essa abordagem valoriza o progresso de cada estudante ao longo do período analisado, bem como as intervenções realizadas e os recursos utilizados, descrevendo-os em relatórios de avaliação de aprendizagem.

Sabemos que a elaboração desses relatórios pode deixar muitos professores em dúvida. Diferente das provas, que geralmente exigem apenas uma análise quantitativa, esse documento demanda uma abordagem qualitativa do processo de aprendizagem. 

Por isso, é importante que o professor tenha o apoio da coordenação pedagógica para a implementação ou o aperfeiçoamento desse instrumento. A orientação aos professores é a melhor maneira de garantir que esse documento tenha muito mais que uma função legal ou burocrática dentro da escola.

É importante fazer com que se torne um verdadeiro mapa para conduzir os alunos ao sucesso, tanto no aspeto acadêmico como em seu desenvolvimento como cidadão, fora dos muros da instituição.

Por que fazer relatórios de avaliação de aprendizagem?

Vale a pena destacar que o relatório de avaliação de aprendizagem é um registro fiel que descreve a trajetória de aprendizagem de cada aluno. Esse tipo de documento é mais comum na educação infantil e nos primeiros anos do ensino fundamental. Porém, por ser um feedback completo e mais próximo do aluno, o ideal é que seja usado em toda a escolaridade.

Esses relatórios são úteis porque, diferentemente das notas, formam um verdadeiro “diagnóstico” da aprendizagem. Se analisarmos com atenção, veremos que um conceito no boletim não mostra sequer quais objetivos foram atingidos ou não pelos alunos. Já o relatório de avaliação é completamente diferente: não só revela quais foram os objetivos superados, mas também descreve o processo que o levou a esse resultado, além das intervenções realizadas para a ampliação do saber e os resultados alcançados.

Portanto, o relatório é importante por diversas razões:

  • para elaborar o documento, o educador precisa rever os procedimentos adotados, o que contribui para a reflexão sobre seu trabalho;

  • revela o ponto em que o aluno iniciou um processo de reflexão e sistematização sobre determinado tema, bem como os saberes prévios que foram a base dessa trajetória;

  • descreve as intervenções utilizadas para atingir o objetivo e o resultado obtido;

  • fornece informações para que a escola e os pais compreendam melhor as necessidades daquele aluno, o que pode ajudá-los a planejar intervenções mais eficazes;

  • permite que a família compreenda o trabalho realizado pela escola e de que forma os pais podem contribuir para potencializar o desenvolvimento do aluno;

  • ajuda a escola a entender o perfil das turmas e ajustar seu planejamento para tornar seu ensino mais efetivo.

Como ajudar os professores na elaboração dos relatórios?

Como mentor dos docentes, o coordenador pedagógico tem um papel fundamental na elaboração dos relatórios. Quer a prática esteja em fase de implementação ou já seja utilizada pela escola há muito tempo, a orientação desse profissional é essencial para os professores. Descubra como é possível ajudá-los.

Defina o período da avaliação

Dentro de uma instituição de ensino, o período abrangido por cada relatório deve ser padronizado. Enquanto algumas escolas optam por avaliações bimestrais, outras dividem o ano em trimestres ou, até mesmo, semestres. Oriente os professores a fazer observações referentes apenas ao período referente àquele relatório, sem resgatar desnecessariamente informações que já fizeram parte de documentos anteriores.

Oriente os professores quanto à manutenção dos registros

Registros precisos são a base para relatórios de avaliação de aprendizagem completos. Por isso, é importante orientar os professores a guardar esses materiais e fazer anotações. O primeiro registro fundamental para um bom relatório é o próprio planejamento. O desempenho dos estudantes será avaliado à medida que alcançam ou não os objetivos de aprendizagem. Portanto, esse documento é fundamental.

Além disso, o professor precisa manter um registro fiel do que acontece em sala de aula. Ele deve ter anotações sobre a frequência do aluno, sua participação nas atividades de classe, compromisso dele e da família com as tarefas complementares, etc. Também é importante registrar o apoio que o professor ofereceu para os alunos. Além das atividades direcionadas a toda a classe, houve alguma ação suplementar na tentativa de sanar suas dificuldades? Quais foram elas e qual o resultado obtido?

Disponibilize um modelo

Quem já atuou em sala de aula sabe que um único bimestre reúne uma quantidade imensa de informações. Seria inviável e, até mesmo, desnecessário elaborar um relatório com todas elas. Por esse motivo, é importante que o professor tenha um modelo e um roteiro em mãos. Isso vai ajudá-lo a não se esquecer do que é essencial, além de estabelecer uma ordem clara e descrever, de forma sucinta, as principais situações didáticas e seus resultados. Entre esses itens, não devem faltar:

  • principais objetivos ou conteúdos de cada eixo de conhecimento;

  • conhecimentos prévios verificados antes da abordagem do conteúdo;

  • andamento e intervenções;

  • resultado;

  • observações adicionais sobre a postura e o desempenho do aluno.

Em algumas localidades do país, o documento é obrigatório, e a norma estabelece até mesmo os itens que deverão fazer parte dele. Esse é o caso da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, que determinou na Portaria 7.598 de 2016 que o Relatório Descritivo deve conter: 

  • o percurso realizado pelos estudantes, tanto individualmente quanto pelo grupo;

  • diferentes formas de expressão da aprendizagem;

  • registros de observações significativas do aluno;

  • expectativas da família;

  • registros coletados pelos professores a respeito da frequência do aluno e sua interferência nos resultados de aprendizagem obtidos.

Defina o tom da linguagem

Sempre é importante lembrar aos professores que a linguagem utilizada no relatório precisa ser objetiva, simples e positiva. Deve ser facilmente compreendida pelos familiares do aluno e outros profissionais que, eventualmente, venham a atender o aluno. Uma boa sugestão é criar uma espécie de lista com frases sugestivas que o professor pode usar para descrever cada situação: compreensão dos conteúdos, concentração e atenção em sala de aula, autonomia e iniciativa, relacionamento com colegas, etc.

Avalie os relatórios dos professores

Mesmo os profissionais que só trabalham com redação têm seus escritos analisados por revisores. Em uma escola, não pode ser diferente. Sendo assim, depois de prontos, os relatórios precisam ser revistos pelo coordenador, que deve ficar atento para detectar informações equivocadas, erros de digitação ou gramaticais e, até mesmo, uma linguagem muito pesada. 

Sempre é importante se sentar com os professores nesse momento e revisar junto com eles alguns desses relatórios de avaliação de aprendizagem. O coordenador deve destacar os pontos positivos do relatório e orientá-los quanto à reescrita do que pode ser melhorado.

Como vimos, a implementação do relatório de avaliação de aprendizagem pode ser trabalhosa. No entanto, esse documento retrata fielmente o progresso de cada aluno, fornecendo um feedback importante para a família e outros envolvidos no processo educativo. Com essas informações, tanto os pais quanto os gestores podem compreender melhor as necessidades do aluno para estabelecer práticas efetivas em prol da sua aprendizagem.

Entendeu como ajudar seus professores na elaboração dos relatórios de avaliação de aprendizagem? Quer conhecer outras alternativas para promover a construção de conhecimentos e tornar sua escola mais atrativa e eficiente? Converse com os especialistas da Guten agora mesmo! Aguardamos seu contato!

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