O que é isso? Pra que serve? Como trabalhar?

Ao iniciarmos uma situação de aprendizagem na escola, pensamos: vamos começar pelo começo, certo? Então, pensamos “onde é o começo?” E percebemos que, para cada estudante, esse começo está num lugar diferente, num momento diferente. Os alunos trazem conhecimentos, contextos familiares, vivências afetivas e cognitivas muito diversas entre si.

Começar a ensinar um conceito novo partindo de onde o professor acredita ser o início, pode ser extremamente desafiador para uns e facílimo e desinteressante para outros…. E, nesses casos, haja aluno disperso em aula! Culpa do professor? Culpa dos alunos? Do conteúdo, que é muito chato? É possível, mas há grandes chances de ser um reflexo da nossa didática.

Podemos repensar e começar pelo começo de cada um: levantando o que o estudante já conhece sobre esse novo tema, o que cada um já ouviu falar sobre esse conceito ou esse novo procedimento! Que sentidos esses estudantes já têm construído sobre o assunto apresentado? Ou seja, quais são os conhecimentos prévios dos aluno sobre o assunto.

O conhecimento prévio possibilita a relação do aluno com o que será ensinado e deve ser aproveitado pelo professor.

Essa prática didática, de acionar os conhecimentos prévios, muito discutida em reuniões pedagógicas e de pais, não é apenas uma escolha que reflete a escuta do professor, é muito mais que isso. O conhecimento prévio possibilita a relação do aluno com o que será ensinado e deve ser aproveitado pelo professor, no decorrer do processo. E como podemos fazer isso, de forma significativa?

Vamos pensar num exemplo: o processo de construção de conhecimento da produção de uma notícia. O professor de Língua Portuguesa, quer começar nesse semestre o Projeto Jornal com a turma do 2º ano do EF1, e os estudantes vão produzir notícias sobre os eventos esportivos e culturais da escola. Antes de colocar isso em prática, é preciso levantar que conhecimentos prévios eles têm sobre notícia e sobre escrever textos.

O que se escreve numa notícia? Para que ela serve? Onde é publicada? Para saber onde é o começo da nossa aula, nada como ouvir o que os alunos já sabem sobre isso. O professor pode levar um jornal impresso para aula, e deixar que eles manuseiem de forma aleatória e conversem em seus grupos sobre o que estão lendo, enquanto o docente vai perguntando em cada agrupamento: “quais as semelhanças entre os textos?”, “o que existe de diferente?”, “qual a função de cada um deles?”, “que outros tipos de texto existem no jornal?”, “o que contam esses textos?”.

Nesse momento, é papel do professor fazer o registro dessas hipóteses, descobertas e saberes revelados a partir da leitura da notícia. Talvez respostas como: “todas têm um título!”, “todas contam fatos que aconteceram na semana”, “tem uma notícia, mas tem História em Quadrinho!”, ou ainda: “os textos vêm com foto e uma legenda!”, “as notícias contam histórias de pessoas!”.

Uma vez mapeada a percepção inicial dos alunos, um bom caminho é guardar essas primeiras hipóteses para que os alunos possam buscar as respostas e confrontar seus sentidos iniciais com os significados construídos ao longo das atividades.

Os novos conhecimentos serão construídos e lidos, graças ao que eles já trouxeram de conceitos e instrumentos. Quanto mais o professor possibilitar a mobilização e atualização desses conhecimentos, mais relações o aluno poderá estabelecer entre o que ele já sabe e o que vai aprender, e dessa forma, mais significativa torna-se a aprendizagem!

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Créditos: Shutterstock

No Guten News, trabalhamos com essa concepção durante as atividades de pré-leitura, acionando os conhecimentos prévios dos alunos sobre os temas que serão tratados na notícia. Imagine construir a legenda para uma imagem linda de um escalador em uma montanha, para sensibilizar e acionar as vivências do aluno sobre o tema, antes mesmo que ele leia a notícia sobre Esporte de Aventura. Outro exemplo é uma atividade em que o estudante pode ler a letra da música “Tenho sede” do Gilberto Gil, relacionando a necessidade de água e de amor, antes de ler sobre a notícia da falta de água que estamos vivendo. Demais, não?

Por meio desse saber, instrumentalizado pelo que foi acionado sobre a temática do texto, é que abrimos as possibilidades para começar uma relação com o que a notícia traz de novo!

As novidades são sempre um diálogo com o nosso antigo saber!

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