Especialista aponta quatro aspectos essenciais para as escolas hoje

“Adaptação nada mais é do que a capacidade que um indivíduo tem de acompanhar as mudanças do meio”. Palavras do especialista em educação Eugênio Mussak durante a palestra que ministrou no congresso Bett Brasil Educar 2017. Mussak se referia à teoria de Darwin e defendia como ela é aplicável a basicamente todas as áreas humanas, inclusive à educação. “Se nós trouxermos isso para a nossa realidade, vamos ver que não é muito diferente. Cada um de nós, professores, habita também um ecossistema”, explicou Mussak. Segundo ele, as espécies que sobrevivem são aquelas que têm a maior capacidade de adaptação às mudanças do meio e essas mudanças são inevitáveis. Os ecossistemas sempre se modificam gradativamente. Hoje, essa modificação é mais rápida por causa da intervenção do homem acelerada pelo desenvolvimento tecnológico.

A trajetória do setor educacional mudou muito. Começou com a vinda dos jesuítas e sua preocupação em formar pessoas virtuosas para a religião com um sistema escolar que prezava a cartilha da disciplina, da obediência e do aprendizado pela “decoreba”. “Se um aluno dissesse a um professor ‘professor, eu não estou entendendo’. Ele talvez dissesse ‘você não tem que entender, você só tem que aprender’”, diz Mussak. Outro marco na história da educação no Brasil foi o período da Revolução Industrial, quando o Brasil sofria influências da Inglaterra por conta da relação comercial entre os países. Neste momento, as escolas passaram a ter como objetivo a formação de mão de obra para as indústrias, com o intuito de criar profissionais que não questionassem as ordens recebidas.

A quebra desse tipo de modelo se deu há menos de um século, em decorrência de um movimento chamado “escola nova”. Esse movimento liderado por educadores, filósofos e pensadores de uma forma geral, defendeu o desenvolvimento do intelecto, do raciocínio lógico e da tomada de decisões por parte dos jovens. Uma mudança bastante significativa com relação a um sistema que era baseado principalmente em memorização. Foi uma ruptura de paradigma que é mantida até hoje. De acordo com Mussak, cada etapa da trajetória tem a sua relevância, mas, mesmo o admirador do movimento escolanovista defende que essa ideia precisa se atualizar.

Adaptação em quatro aspectos

Mussak acredita que é preciso adaptar esse modelo da nova escola, por isso o título “Nova escola nova”. Segundo ele, para atingir o próximo patamar evolutivo e resistir ao ecossistema, as instituições educacionais hoje precisam se apoiar em quatro fundamentos essenciais:

1 – Gestão nos moldes empresariais: é preciso que as escolas sejam muito bem geridas, seguindo a filosofia de uma empresa, inclusive no que diz respeito a ter uma liderança e a manter um ambiente agradável para todos os que estão presentes. “Uma escola – não importa se é pública ou privada, se é leiga ou religiosa – tem que ser bem administrada”.

2 – Manter professores capacitados: é preciso ter em mente que o professor é um sujeito que sempre aprende, que precisa de estudo e capacitação contínua. “Afinal, a escola é um ambiente de aprendizagem para todos, inclusive para os educadores”, diz Mussak.

3 – Uso adequado da tecnologia: “Se eu pegar um médico da metade do século passado e trouxer por uma máquina do tempo para os dias de hoje, ele não vai saber nem reconhecer um hospital, tamanha a diferença”, diz o especialista. “Mas, se eu pegar um professor do século 12 – época de Carlos Magno – e trouxer para os dias de hoje, será possível que ele dê aula em algumas escolas de hoje”. É preciso ter um aproveitamento maior da tecnologia e ter uma metodologia, não apenas adquirir recursos tecnológicos, mas integrá-los à rotina escolar de maneira adequada.

4 – Dar importância para a inteligência emocional: “Durante muito tempo as escolas privilegiaram apenas o lado esquerdo do cérebro [lado do raciocínio]”, ressalta Mussak ao falar da importância do desenvolvimento socioemocional para a formação e de construir conhecimento com os alunos trabalhando também o lado emocional e a criatividade. Ele destaca que é preciso saber conviver com outras pessoas, investir na integração com pessoas diferentes, culturas diferentes, ideias diferentes.

E você, concorda com o que diz o especialista? Para você, que aspectos são fundamentais para o futuro da educação no Brasil?

 


Quem é Eugênio Mussak?

Formado originalmente em Medicina, resolveu dedicar-se ao ensino e atualmente é professor da FIA-USP e da Fundação Dom Cabral, nas áreas de Liderança e Gestão de Pessoas. É o diretor científico da Associação Brasileira de Recursos Humanos e integrante do comitê de criação do CONARH – Congresso Brasileiro de Recursos Humanos. Autor de artigos e livros como “Metacompetência”, “Gestão Humanista de Pessoas” e “Liderança em Foco”. Escreve mensalmente para revista a Você S.A. sobre liderança e para a Revista Vida Simples sobre comportamento. Além disso, tem um programa de entrevistas na Rádio Estadão/ESPN, chamado “Papo de Líder”.

 (Informações divulgadas pelo Bett Brasil Educar)

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